-Garçom, uma dose de esquecimento e desapego, por favor?
-Vai um pouquinho de amor também?
-Não, não... deixa pra outro dia.
Bem, e agora? Era só isso?
Cadê o frio na barriga, os olhos brilhando, o cabelo sedoso, a pele macia?
De quem é a culpa pelo relacionamento às vezes estar uma porcaria? Quem explica a paixão em uma semana e o ódio em outra? Quem pode dizer o motivo de não conseguirmos escutar nem a voz daquela pessoa? Porque por tudo se briga?
Como as coisas chegaram a este ponto e ninguém se deu conta?
Engraçado... em um dia você tem certeza que tem que acabar seu relacionamento, já no outro você acha que estava delirando, pois é claro que você não tem motivos pra terminar seu namoro, casamento, rolo, seja lá como você chame.
Eu acho que relacionamentos são assim mesmo... complicados e ao mesmo tempo simples. A convivência é uma coisa muito difícil, ambos têm que ceder em alguns pontos e quase sempre isso não acontece.
Ganha muito mais quem se utiliza de jogo de cintura para driblar as diferenças, porém, quase ninguém consegue deixar “a queda de braço” pra lá. Quando as pessoas não têm essa consciência do jogo de cintura, o relacionamento começa a cair numa grande disputa.
Quando chega a esse ponto, fica tudo muito ruim, pois começam as discussões por nada e por tudo, começam a ser ditas coisas que não deveriam ser, enfim, a rivalidade impera.
O pior é quando ninguém se admite errado, quando você age e diz coisas que depois você vai se arrepender. Ou o que é mais crítico, as vezes chegamos num ponto em que não se arrependemos do que dizemos.
Depois as diferenças são esquecidas e tudo fica bem, quer dizer, na verdade, apenas se coloca uma pedra em cima do assunto, o que não significa que ele ainda não esteja lá.
O grande problema é esse, as coisas não são conversadas, são apenas colocadas de lado, como se nunca tivessem existido. Só que no fundo, no fundo, existe uma ferida que não cicatriza e que pode voltar a qualquer momento.
E ela volta, e volta com mais força.
“O amor é um grande laço, um passo pra uma armadilha”.

